Dando continuidade à discussão sobre Dor de Cabeça, seguimos agora para o tratamento da cefaléia.
O tratamento pode ser dividido em medidas gerais e específicas.
As medidas gerais incluem medidas educativas em relação à dor de cabeça.
O primeiro fator a se reconhecer que a dor de cabeça é uma doença benigna. Isso quer dizer que ter crises recorrentes não vão levar a doenças mais graves. Outra coisa é que quem tem dores de cabeça recorrentes em geral sabe os fatores externos que podem desencadeá-las ou piorá-las. Estar atento a isso é fundamental para que se possa evitar esses fatores externos. Neste item, os principais exemplos incluem certos alimentos, fome, perturbações do sono e principalmente o estresse.
Nunca é demais recomendar para se procurar um médico para que possa avaliar e estabelecer a terapêutica adequada. Isso implica em evitar a automedicação e principalmente o abuso medicamentoso, uma vez que existem dores de cabeça que são desencadeadas por abuso de remédios para dor.
As medidas específicas podem ser tanto não medicamentosas, quanto medicamentosas.
As medidas não medicamentosas em geral são mais voltadas para o tipo específico de dor de cabeça. Uma vez diagnosticada o tipo de cefaléia, o médico pode indicar medidas que podem incluir:
- Dietas (APENAS para alimentos sabidamente desencadeadores)
- Acupuntura
- Técnicas de relaxamento
- Fisioterapia
- Atividade física
- Tratamento ortodôntico
- Psicoterapia e técnicas cognitivo-comportamentais
Para as medidas medicamentosas, temos um arsenal bem variado para o tratamento das cefaléias. No entanto, para iniciar o tratamento medicamentoso, é preciso não apenas que o médico reconheça o tipo de dor de cabeça, mas também saber de características como freqüência, intensidade e o que o paciente costuma tomar durante a crise e se resolve com essa medicação.
A freqüência pode ser estimada em quantas vezes por mês (ou por semana) o paciente tem crises, pois isso vai orientar o tipo de medicação. A crise pode ser eventual e isolada (p.ex., uma vez por mês ou por semestre) ou pode ter uma freqüência aumentada (acima de duas a três vezes por mês).
De um modo bem genérico, existem dois tipos de medicações:
- para as crises
- para prevenir as crises (profiláticas)
As medicações para as crises são medicações para quem tem crises eventuais. Estão incluídas nesta lista analgésicos, antiinflamatórios não hormonais e triptanos, que serão prescritos conforme avaliação criteriosa baseado na intensidade da crise e sua resposta medicamentosa.
Já para quem tem crises muito freqüentes, em geral acima de duas a três crises por mês, está indicado medicações profiláticas, ou seja, aquelas que previnem as crise de dor de cabeça. Os principais representantes deste grupo são:
- betabloqueadores
- bloqueadores de canais de cálcio
- antidepressivos tricíclicos
- antiepilépticos
Nesta hora, o paciente pode assustar-se e dizer que não tem problemas de pressão para fazer uso de betabloqueadores, ou que não tem depressão para usar um antidepressivo, muito menos epilepsia para tomar antiepilépticos.
Entenda que todas as medicações acima têm estudos que comprovam sua eficácia na profilaxia da cefaléia. Além disso, na maior parte deles são usadas doses inferiores àquelas das quais são destinadas habitualmente. Um antidepressivo, por exemplo, quando utilizado com uma dose apenas para a profilaxia da cefaléia tem essa dose inferior à usada para depressão, e seu efeito já começa quatro a cinco dias após o início do uso, enquanto na depressão os efeitos começam a ser sentidos após duas ou três semanas.
Vale ressaltar que o início da terapia com medicações profiláticas tem que ser discutido com o paciente, uma vez que ela deve ser instituída por um período de três a seis meses.
Por fim, na presença de uma dor de cabeça, procure sempre um médico, pois as informações aqui contidas têm caráter meramente informativo e não substituem jamais uma avaliação criteriosa para uma terapêutica precisa.
