segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

DOR DE CABEÇA: PARTE 1

CLASSIFICAÇÃO

Hoje vamos tratar de uma das queixas mais comuns no consultório: a dor de cabeça.

A dor de cabeça, ou cefaléia, é um sintoma muito freqüente e deve ser considerado um sinal de alerta, seja ela consequência de problemas graves ou não.


Fonte: http://www.grupoescolar.com/a/b/EE3CF.jpg


Na classificação das cefaléias, primeiramente proposta em 1988 pela Sociedade Internacional das Cefaléias e com nova edição em 2004, podemos encontrar mais de cem tipos de dores de cabeça. Essa classificação baseou-se nas causas e no modo de instalação e evolução da dor.

Dividindo-se entre as causas, as cefaléias são divididas entre primárias ou secundárias.

As cefaléias primárias são aquelas que NÃO SÃO DETECTADAS EM EXAMES HABITUAIS. Elas geralmente são causadas por desequilíbrio bioquímico em certas áreas do cérebro, envolvendo neurotransmissores, neuropeptídeos e hormônios. Neurotransmissores e neuropeptídeos são substâncias que o cérebro fabrica, responsáveis por nossas sensações, inclusive a dor. Têm caráter hereditário e podem ser desencadeadas por fatores ambientais. Exemplos mais comuns desta são a enxaqueca e a cefaléia tensional. 

As cefaléias secundárias são provocadas por doenças demonstráveis por exames clínicos ou laboratoriais. Nestes casos a dor é desencadeada por uma agressão ao organismo. Como exemplos, temos as infecções sistêmicas, as doenças endocrinológicas, ou até mesmo, hemorragias cerebrais, meningites ou tumores.

Segundo o modo de instalação e a evolução, as cefaléias são classificadas em:

- Cefaléia explosiva - surgem abruptamente, em fração de segundo, atingindo a intensidade máxima instantaneamente.

- Cefaléia aguda - atingem seu máximo em minutos ou poucas horas. Tanto as cefaléias primárias como as secundárias podem apresentar este tipo de instalação. 

- Cefaléia subaguda - instalação insidiosa, atingindo o ápice em dias ou poucos meses (até três meses), e são principalmente secundárias.

- Cefaléia crônica - são aquelas que persistem por meses ou anos e, em geral, são primárias. Podem recidivar, durando por um período variável de tempo, desaparecendo depois e posteriormente reaparecendo.  Podem ser persistentes, aparecendo diariamente ou quase diariamente, por um período mínimo de quatro horas. A intensidade da dor deve permanecer mais ou menos a mesma no decorrer dos meses.


NO CONSULTÓRIO

A investigação das cefaléias começa com a história do paciente. O paciente que chega com queixa de dor de cabeça deve caracterizar o máximo possível a dor. Segue abaixo um roteiro para melhor caracterização.

-Quando começou?

-Como começou: explosiva ou progressiva?

-Como é a dor: em aperto ou "latejante" (pulsátil)?

-A dor ocorre em algum lugar específico da cabeça?

-A dor ocorre em algum horário específico?

-Qual a freqüência da dor? Quantas vezes por mês ou por semana?

-Está associada a algum fator externo: fome, sono, álcool, alimentos, estresse etc.?

-Alguns sintomas precedem a dor?

-Tem sintomas associados? Náuseas e/ou vômitos? A luz ou barulho incomodam?

-Qual remédio toma quando vem a dor? Resolve?


O médico que atende deve diferenciar as cefaléias primárias das secundárias, principalmente estas, uma vez que algumas causas secundárias, como por exemplo a hemorragia subaracnóide, devem ser prontamente investigadas e tratadas.

As cefaléias primárias por não serem evidenciadas em exames gerais, NÃO TÊM INDICAÇÃO DE EXAMES DE IMAGEM. Uma história bem detalhada pode identificar esse tipo de cefaléia para evitar a solicitação indevida de exames.

As cefaléias crônicas são as mais encontradas nos consultórios. O paciente já tem uma história prévia de dores de cabeça. Como podem observar, as cefaléias crônicas são em geral primárias, ou seja, não são identificadas por exames complementares. A menos que se esteja investigando outras causas associadas, tomografia ou ressonância magnética para a investigação deste tipo de dor de cabeça são totalmente desnecessários. 

Alguns pacientes, entretanto, podem ficar ansiosos devido às expectativas criadas em relação aos exames complementares e não é incomum a frustração manifestada por frases do tipo: "fui ao médico, mas ele não pediu nenhum exame". Ora, se as cefaléias primárias não aparecem em exames, quaisquer exames solicitados serão um gasto desnecessário. 

Uma observação importante em relação à cefaléia crônica é que ela tem um padrão similar entre as crises, mas uma crise diferente da habitual deve ser investigada com exames de imagem, pois pode ter um fator secundário sobrejacente que modificou a dor de cabeça.

As cefaléias secundárias não serão discutidas aqui, pois serão oportunamente mencionadas em tópicos posteriores.

Na segunda parte deste tópico, vou falar um pouco sobre os tratamentos das dores de cabeça.

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